Na linguagem da matemática, o cosmos sussurra a presença de Deus.
Os avanços da matemática revelam que o universo é tecido por padrões invisíveis, regidos por leis de precisão inimaginável. Constantes universais, geometrias ocultas e a ordem dentro do caos apontam que nada é obra do acaso. É como se, por trás da precisão matemática do universo, pulsasse uma Consciência silenciosa, causa e finalidade de todas as coisas.
Diversos cientistas, aprofundando pesquisas na Física Quântica, chegaram a um ponto que, para eles, foi muito assustador. Diante das inacreditáveis complexidades do mundo intra-atômico, concluíram pela existência de algo como uma Consciência Cósmica, infinita e indizível, da qual todos nós fazemos parte.
No livro Um Novo Olhar sobre Deus e Nós (2022), em um dos capítulos, o autor espiritual afirma que Deus é algo muito além das nossas possibilidades de entendimento, mas que podemos imaginá-lo como uma Mente Ultra Cósmica, chamada pelos Espíritos, na codificação do Espiritismo em meados do século XIX, de Causa Primária de Todas as Coisas.
Nesse livro, o autor explica que essa “Mente” se compõe de dois Princípios ou Aspectos – o masculino e o feminino – ambos se completando e simbolizados nas figuras de Pai e Mãe, mas constituindo uma unidade: Pai-Mãe.
Fala, igualmente, sobre os seres humanos e a própria vida animal, que se compõem de masculino e feminino, na dualidade que estabelece o equilíbrio; que essa dualidade está em tudo: direita e esquerda, Norte e Sul, dia e noite, alto e baixo etc., e mesmo compondo-se de partes distintas, uma não existe sem a outra, e juntas formam uma unidade.
Sabe-se também que essa dualidade Masculino-Feminino está presente na estrutura espiritual do próprio ser humano, tanto no homem quanto na mulher, embora ainda hoje em proporções diferenciadas.
Assim, por essa visão transcendental, a “Mente Ultra Cósmica”, ou Deus, seria: o Pai – Inteligência e Poder inimagináveis – associado à sua contraparte, a Mãe – Amor, Sensibilidade, Beleza etc., também em expressões inimagináveis, formulando as Leis, organizando e criando o Cosmo e a Vida.
E teríamos ainda o Filho, o Cosmo, conduzindo como herança os “genes espirituais” dos “Pais” e sendo a manifestação de tudo o que há, em todos os seus aspectos – inclusive nós mesmos.
Imaginemos, agora, como seria aqui na Terra se, na Mente Ultra Cósmica ou Deus, houvesse apenas o aspecto Masculino do Pai: teríamos a Inteligência formulando as leis e o Poder cuidando da sua aplicação, mas não haveria Vida. E, se essa Mente se constituísse apenas do Feminino, não haveria Cosmo.
Na Natureza podemos perceber o resultado dessa “ação” associada de Deus Pai-Mãe:
a) Do Pai, na elaboração de todas as funções de cada forma de vida e nas estruturas necessárias ao cumprimento dessas funções, garantindo preservação, continuidade e evolução.
b) Da Mãe, no Amor e na Sensibilidade presentes no projeto e na modelagem das formas de vida, inicialmente grosseiras, mas que evoluíram ao longo do tempo, apresentando hoje extraordinária beleza e harmonia – como se observa nas flores, nas folhas e nas cores do mundo vegetal. No reino animal e no humano, percebe-se a imensa diferença entre os seres primitivos e os da atualidade. E há ainda o Sentimento materno, o colo do Princípio feminino, influenciando tanto mulheres quanto homens.
Lembremos que Jesus, ao atualizar o Antigo Testamento, resumiu-o em um único mandamento: o Amor. Observemos, porém, que Ele o apresentou em duas partes, remetendo à ideia de que a Divindade se constitui de dois Aspectos ou Princípios: o Masculino e o Feminino.
- Primeira parte: “Ama a Deus sobre todas as coisas” – o Pai.
- Segunda parte: “Ama o próximo como a ti mesmo” – a Mãe, o Amor materno.
Essa ideia de “Deus-Pai-Mãe” é absolutamente coerente com o bom senso e a razão.
Podemos também estabelecer que esses dois Princípios representam as asas da nossa evolução espiritual: só é possível elevar-se quando ambas tiverem o mesmo tamanho, e se esse tamanho for suficiente para alçar voo.
A Igreja Católica, entretanto, criou a imagem de Pai, Filho e Espírito Santo – triplamente masculino – eliminando o aspecto materno da divindade, o Amor, e devido a essa distorção, esse “desequilíbrio” no projeto evolutivo, o Cristianismo não logrou melhorar o mundo cristão.
Vemos, então, a humanidade com a asa masculina empoderada e a feminina fragilizada, vivenciando dor e sofrimento, sem conseguir decolar em busca do bem-estar e da felicidade para todos.
Nos últimos tempos, entretanto – e felizmente – o Feminino vem crescendo e ganhando força, tanto com relação a homem e mulher, quanto aos Princípios masculino e feminino na estrutura espiritual de todo ser humano, sinalizando a transição da Terra para um modelo melhor.
Jesus representa o perfeito equilíbrio entre esses dois Princípios. O Espiritismo, igualmente, representa esse equilíbrio, com uma asa do Conhecimento, da Ciência e da Razão, e outra da vivência do Amor em todas as suas expressões.
Assim, por esse novo olhar sobre Deus, tudo passa a ficar diferente. É a sensação de pertencimento, uma conscientização que nos retira da posição de pedintes, tornando-nos partícipes e agentes. Saímos daquela condição, em que o mundo cristão ainda se demora, de quem busca alcançar as graças divinas por meio de bajulações, promessas, oferendas e louvações; comprar com valores amoedados a “passagem para o Céu” e um lugar no Paraíso após a morte do corpo físico.
O pertencimento coloca-nos em nossa verdadeira posição: agentes da Vida e donos de nós mesmos, construtores do nosso presente e do nosso futuro, com todas as possibilidades de viver, aprender, crescer e ser felizes, rumo à plenitude.
É uma nova Luz a iluminar nosso interior, deixando-nos conscientes de que somos parte do Todo, irmãos de todos, de tudo o que vive e do que apenas é.
Obs.: O livro “Um Novo Olhar sobre Deus e Nós” além de vários outros da mesma autora, em português, espanhol e inglês, encontram-se para download gratuito no site https://umtoquedeesperanca.com