Uma ideia muito cruel e destrutiva, inculcada nas mentes dos cristãos ao longo dos séculos, é o sentimento de culpa. Ele tem sido também um poderoso instrumento de domínio nas mãos dos chamados “representantes da divindade”.
A Bíblia, em Gênesis, por meio de seus simbolismos, fala de Adão e Eva que, ao comerem do fruto da “árvore da ciência do bem e do mal”, teriam sido expulsos do Paraíso e condenados ao trabalho penoso, às dores do parto e à transmissão dessa culpa a seus descendentes.
Esse simbolismo, porém, só hoje pode ser compreendido. Conforme explica o Espírito André Luiz, no livro Evolução em Dois Mundos, psicografado por Francisco Cândido Xavier, ele representa a transição dos “princípios espirituais” do reino animal para o reino humano, quando atingiram o ápice de seus processos evolutivos.
O “fruto da árvore da ciência do bem e do mal” simboliza o ganho do conhecimento, com todas as possibilidades de crescimento e evolução. André Luiz esclarece que o animal possui inteligência, mas não raciocina, pois seu pensamento é fragmentário; que determinados grupos de “princípios espirituais”, ao final de sua evolução no reino animal, passaram por transformações que lhes permitiram o pensamento contínuo e o raciocínio, ainda embrionário, ingressando assim no reino humano e evoluindo ao longo dos milênios e das reencarnações.
A interpretação literal dessa passagem gerou a ideia do “pecado original”, cuja culpa teria de ser carregada pelos descendentes de Adão e Eva. Esse suposto pecado, que não foi transgressão às leis divinas, mas parte natural da evolução, transformou-se em instrumento de domínio religioso, baseado no medo e na promessa de perdão e salvação.
Vivemos, porém, o início de um novo ciclo da Terra, no qual o domínio tende a ser substituído pela cooperação, a culpa pela responsabilidade e o medo pela liberdade.
Assim, libertando-nos dessas crenças primitivas, percebemos o absurdo da ideia de herdarmos a culpa de um “primeiro casal”, bem como a de um Deus com todas as idiossincrasias próprias do ser humano, além de outras como Céu e Inferno, perdão dos pecados, entre tantas.
Jesus veio atualizar o Antigo Testamento ao afirmar:
“Ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.”
“Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas.” (Mateus 22:37–40)
Essa vivência do amor, no entanto, não prosperou, por ser muito difícil. Os discípulos e os primeiros cristãos conseguiram, pois viviam ainda na aura formada pelos anos de convívio com o Mestre.
Com a institucionalização do Cristianismo pelo Império Romano, porém, a figura de Jesus foi reinterpretada pela doutrina da Trindade, suprimindo o aspecto do Amor Compassivo, do acolhimento e da ternura, afetando o processo evolutivo dos cristãos.
Na despedida dos discípulos, Jesus afirmou:
“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8:32)
Libertar de quê? De crenças irreais e, sobretudo, de uma das maiores prisões da alma: o sentimento de culpa.
Essa libertação torna-se possível hoje, com os conhecimentos sobre as leis divinas, incluindo a reencarnação e a lei de causa e efeito, trazidos pela codificação do Espiritismo no século XIX e corroborados por milhares de pesquisas científicas.
Não somos, portanto, culpados. Somos responsáveis por nossos atos.
Não há um Inferno a temer, pois a reencarnação nos oferece sempre novas oportunidades de nos redimirmos das nossas transgressões às leis divinas, liberando nossa consciência.
Informações, esclarecimentos e pesquisas científicas sobre esses e outros temas estão no livro O que Acontece Depois da Vida, disponível gratuitamente em formato digital no site umtoquedeesperanca.com, na página Livros.