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REENCARNAÇÃO

Por que a ideia da reencarnação enfrenta tanta resistência no mundo cristão, apesar de todas as evidências existentes e da sua profunda lógica, já que seus mecanismos refletem a mais perfeita sabedoria e justiça de quem a instituiu?
Porque ela coloca o ser humano diante de suas próprias responsabilidades espirituais, retirando das igrejas o suposto poder de conduzir as almas ao Céu ou ao Inferno.
Apesar da rejeição religiosa, cientistas e pesquisadores vêm estudando o tema há décadas.
Entre os pioneiros está o Dr. Ian Stevenson (1918–2007), diretor do Departamento de Psiquiatria e Neurologia da Universidade da Virgínia (EUA).
Na década de 1960, Stevenson e sua equipe investigaram mais de 600 casos de lembranças espontâneas de vidas passadas, analisando-as com rigor científico, e apresentaram os mais significativos no livro “Twenty Cases Suggestive of Reincarnation”, com 520 páginas e 20 casos detalhados ocorridos na Índia, Ceilão, Brasil, Alasca e Líbano.
Essas memórias espontâneas ocorrem com frequência em crianças pequenas, geralmente entre 2 e 4 anos, quando começam a falar. Algumas se mostram revoltadas com a nova condição social, como o caso do menino indiano que, nascido numa casta pobre, afirmava pertencer a uma família nobre. As informações fornecidas pela criança levaram os pesquisadores a localizar essa família, a centenas de quilômetros de distância, confirmando nomes, fatos e circunstâncias da morte anterior.
Sobre marcas de nascença, durante mais de 40 anos de pesquisa, Stevenson catalogou cerca de 3 mil relatos em diversos países. Em 1997, publicou sua obra monumental “Reincarnation and Biology”, em dois volumes e 2.500 páginas, reunindo 200 casos documentados em que marcas de nascença ou deformidades físicas coincidiam com ferimentos fatais das vidas anteriores relatadas.
Outro pesquisador de destaque foi o Dr. Hemendra Nath Banerjee (1929–1985), diretor do Departamento de Parapsicologia da Universidade de Rajasthan, na Índia. Em seu livro “Vida Pretérita e Futura”, ele relata seus 25 anos de pesquisas, em mais de 1.100 casos investigados com rigor científico, considerando hipóteses como fraude, percepção extrassensorial e coincidência – mas reconhecendo que somente a reencarnação explicava adequadamente os resultados obtidos.
No Brasil, Dr. Hernani Guimarães Andrade (1913–2003), fundador do Instituto Brasileiro de Pesquisas Psicobiofísicas (IBPP), foi autor de 19 livros e monografias sobre reencarnação, poltergeist, TCI – Transcomunicação Instrumental e fenômenos “psi”.
Em seu livro Reencarnação no Brasil, descreveu o caso de “Patrícia” (nome fictício), menina que, aos dois anos e meio, começou a relatar com precisão detalhes de uma vida anterior na França, incluindo nomes de pessoas e locais. Dizia ter sido morta com um tiro no peito e possuía duas marcas de nascença correspondentes à entrada e à saída da bala, em trajetória confirmada por peritos. Ao ver um soldado armado, entrou em pânico, gritando: “Ele me matou!” – um dos muitos exemplos em que lembranças vívidas se associam a marcas físicas.
Outra linha de pesquisa é pela grafoscopia. O Prof. Dr. Carlos Augusto Perandréa, da Universidade Estadual de Londrina (PR), estudou por 14 anos 400 cartas psicografadas por Chico Xavier, utilizando a grafoscopia – a mesma técnica com que avaliava assinatura para bancos, polícias e o Poder Judiciário. Perandréa comparou a letra dos indivíduos antes da morte e depois nas cartas psicografadas, concluindo que todas as psicografias possuíam autenticidade gráfica dos referidos mortos.
Alguns tentam explicar tais fenômenos como manifestações do inconsciente coletivo, mas, conforme Carl Jung, esse inconsciente não contém lembranças pessoais, apenas predisposições simbólicas. Os inúmeros casos estudados, repletos de detalhes biográficos, nomes, idiomas, costumes e fatos históricos, demonstram que não se tratam de símbolos universais, mas de memórias individuais – algo que não se explica pelo inconsciente coletivo.
Além das pesquisas de campo, muitos profissionais da saúde – como Morris Netherton, Brian Weiss, Edith Fiore e Denys Kelsey – acumulam evidências reencarnatórias em seus consultórios, por meio de regressões de memória que revelam lembranças consistentes e terapeuticamente transformadoras.
Aos que desejam aprofundar-se, recomenda-se consultar a vasta bibliografia existente sobre reencarnação, sobrevivência da alma e comunicabilidade dos espíritos, que cresce continuamente com novas e rigorosas pesquisas.